Esta semana, a APEESF foi convidada a participar no programa da RTP1 "Prós e Contras".
O associado Ernesto Pinto, chamou a atenção para a importância da união da comunidade escolar em articulação com as empresas e restantes instituições para fazer face á crescente degradação das condições nas escolas.
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A progressiva dissolução
de laços comunitários e a consequente atomização dos grupos humanos (dando
origem a sociedades cada vez mais individualizadas) tem suscitado um interesse
renovado pela ideia de comunidade. Hoje fala-se em recuperar o espírito de Comunidade
ou, sem nostalgias, em investir a comunidade com significados mais adaptados ao
nosso tempo e às novas exigências.
Diga-se o que se disser, é um facto que precisamos de “fazer”
comunidade para educar as nossas crianças e os nossos jovens (e já agora os
adultos). Quanto mais ampla e mais articulada em torno das mesmas metas, tanto
melhor será a “Comunidade Educativa”
Apostas e projectos da Comunidade Educativa: o que se afigura
pertinente e necessário. A Comunidade educativa, para ser “Comunidade” e para
ser Educativa”, precisa de estar agregada em torno de várias metas. Ou seja,
precisa de estar reunida para desenvolver propósitos educativos. Mas que
propósitos? Perguntar-se-á com curiosidade nesta época em que se somam os
problemas da sociedade! Educar para a sociedade da informação, da comunicação e
do conhecimento? Para as novas exigências do sistema produtivo? Para o consumo
responsável? Para a autonomia e para a participação nas estruturas da sociedade
democrática? Para o respeito da alteridade e da diferença? Para o respeito de
si mesmo? E se tudo isto significasse que se deve educar para a cidadania e a
responsabilidade social? Será este o projecto mais urgente da Comunidade
Educativa? Tudo leva a pensar que sim.
A hora é de capacitar
para o exercício da cidadania activa, crítica e responsável, pois não há
democracia sem ela. A democracia não pode funcionar sem cidadãos, isto é, um tipo
de humanidade que não nasce por geração espontânea. Isto é tanto mais
importante quanto se verifica, com alguma preocupação, a defesa exacerbada dos
direitos individuais e o desinteresse pela vida colectiva, ignorando que há
deveres e responsabilidades a cumprir na esfera da vida pública. Que o
“interesse público” não se reduza à curiosidade pelas vidas privadas das
figuras públicas e que a arte da vida pública não seja a mera exibição pública
de assuntos privados. Vivemos entusiasmados e por vezes alheados da autêntica
vida pública (que é debate, discussão e negociação de propostas e projectos de
melhoramento da sociedade). A democracia não é apenas defesa dos direitos e
prerrogativas individuais. É também auto-organização colectiva, envolvimento de
todos na gestão e na administração do que é comum. Só este poder colectivo pode
salvaguardar os tão preciosos direitos individuais.
O que se pede à Comunidade Educativa é que reuna
sinergias e vontades para levar a cabo esse desiderato (“educar a cidadania
activa”) sem contradições e “descontinuidades normativas”, quer dizer, em
sintonia e parceria.
Pede-se sobretudo que
transforme a escola em “esfera pública democrática” onde se realize uma
experiência de cidadania activa, não obstante as limitações que esse espaço
comporta. Sim, porque hoje em dia o que importa é “banhar” as crianças e jovens
num ambiente de cidadania activa, e não propriamente pregar uma moral cívica e
inculcar um código de conduta.
Se há razões acrescidas para a revitalização das Comunidades
Educativas, elas encontram-se na implicação de todos os seus agentes na
construção desse tipo de escola – a começar na sala de aula e a acabar no
recreio, passando por todos os orgãos de gestão democrática dessa instituição
(Assembleia, Conselho Executivo, Conselho Pedagógico e Conselho Administrativo)
Aversão à participação (é mais cómodo serem os outros a
decidir, e isto tanto do lado dos professores como do lado dos alunos e dos
pais, para já não falar de outros sectores da comunidade educativa);
O cepticismo e o sentimento de impotência (isto consiste em
não acreditar nas potencialidades da participação para melhorar as coisas);
A obsessão pela eficácia (discutir, dialogar, negociar e
consensualizar é perder tempo);
Preconceitos, resistências e desconfianças entre os membros
da comunidade educativa (entre alunos e professores, entre professores e
pais...e por aí fora);
Os obstáculos
referenciados, longe de nos tolherem os movimentos, são um acicate a vencê-los
e a contorná-los. São reptos ou desafios que, uma vez ultrapassados, nos abrem
para outras perspectivas.
Que precisamos fazer?
Primeiro: recolocar a cidadania activa na agenda da Escola,
Segundo: Aproveitar a participação democrática para melhorar a
qualidade do serviço educativo prestado pela escola. Não esquecer que a
participação democrática dispõe de potencialidades nesse sentido. (É mais fácil
melhorar o ensino- aprendizagem se houver diálogo e colaboração entre pais e
professores, no respeito e na consideração dos estatutos e dos papéis de uns e
outros).
Terceiro: Apostar na aprendizagem da participação e da cultura
democrática como meio de dar sustentabilidade ao desenvolvimento das
comunidades locais, inseridas no raio de influência da Escola e que nela estão
implicadas. (Está a formar-se um consenso quanto à importância da participação
democrática na promoção do desenvolvimento sustentável e da qualidade de vida).
Será isto utópico? Não, se
acreditarmos que o importante é caminhar em frente e não recuar.
Agradecendo a atenção dispensada
O Presidente da A.P.E.E.S.F.
Orlando Verissimo Lopes Rubio